domingo, 6 de dezembro de 2009

Todo mundo percebeu.

Esse final de semana foi tão... bom.
Foi diferente, superou tudo o que eu imaginava.
Diziam a mim que "amor de infância" é para sempre. Eu nunca acreditei.
De uns tempos pra cá, venho percebendo o meu engano.
Devíamos ter uns 3 anos quando tivemos nossa primeira brincadeira. Sou um ano mais velha que ele, o que o fazia sempre se sentir inferior a mim. Sobrinho das minhas irmãs, estávamos sempre um com o outro, estávamos sempre ajudando o "Tio Lizandro", avô dele e ex-marido da minha mãe, a martelar as madeiras pelo quintal. Brincávamos na areia, brincávamos na lama, na chuva, no chuveiro. Na hora da comida, na hora de dormir, na hora da escola. Quando ele veio morar aqui, nossa, eu fui a criança mais feliz do mundo ! Teríamos muito mais tempo pra brincar. Não seria apenas o final de semana.
O tempo foi passando, as mudanças acontecendo, as idéias se formando, os obstáculos, os atritos... Meu primeiro beijo foi com ele. Foi bom, muito bom. Mas não levei muito a sério, não conseguia enxergar ainda a mágica de um beijo como enxergo hoje. Depois do primeiro veio outros, mas nunca estabelecemos um "vínculo" além da grande amizade que tínhamos. Era uma cumplicidade tão grande. Mentíamos juntos, protegíamos juntos, brigávamos juntos. Nossa, nunca tinha parado pra pensar nisso, nunca comentei isso com ninguém, primeira vez que escrevo alguma coisa sobre. E estou até parecendo aquela crinaça de 10 anos que eu era há sete anos atrás.
Quando crescemos, eu mudei de escola, quase não nos víamos, apesar da minha mãe trabalhar na casa do Tio Lizandro que ficava no mesmo quintal da casa dele e eu ficar o dia inteiro lá com ela, nossos horários não batiam. Quando ele chegava da escola, eu estava indo. E quando eu chegava, o tempo da gente brincar ou conversar era muito pouco, e ele já estava com aquela carga de energia toda do dia. Já estava saturado, e já nem pensava tanto em mim. Quando eu não tinha aula, ou ele não tinha aula, e passávamos o dia inteiro juntos no final do dia ele era diferente dos dias que só nos encontrávamos ao anoitecer.
Mais tempo se passou e lá para os meus 14 anos já quase não nos víamos. Tio Lizandro faleceu, minha mãe não ía mais lá, e a mãe dele e a minha mãe pararam de se falar. Ele e as irmãs pararam de ficar na minha casa, eu e meu irmão não íamos mais na casa dele. Eu achei isso muito triste. Eu gostava de ir lá. Gostava de ajudar as meninas e ele nos deveres de casa, de assistir televisão e comer as besteiras que a mãe dele fazia pra gente, de brincar de "desfiles" com as meninas e ele e meu irmão serem o juri, dos passeios que a mãe dele fazia de carro com a gente. :,( A mãe dele é muuuito legal. E apesar dela e da minha mãe não se falarem de nenhum jeito (por motivos que pra mim, são realmente fúteis, das duas partes) eu gosto muito dela, muito mesmo. Dela, dele, das irmãs, do pai. Pessoas incríveis.
Nossa, me emociono quando lembro da época em que nossas mães se falavam, principalmente da cena em que a mãe dele abraça a minha chorando, tenho ela nitidamente em mente. Não era falsidade, ela viu na minha mãe um ombro amigo, viu sim. Ela sabia que minha mãe podia ajudá-la, que minha mãe podia sim, ser uma mãe pra ela. Hum... não vou mais falar sobre isso, é um assunto complicado e delicado demais. História de outras pessoas, particular. Mas deixo bem claro, que não é porque minha mãe e a ex enteada dela sentem ódio mortal uma pela outra que eu vou acatar isso pra mim também. Jamais vou me meter nessa briga, que começou antes de eu nascer, jamais vou tomar partido de ninguém, mesmo porque não concordo com tudo que minha mãe faz, assim como tem coisas que não consigo entender de jeito nenhum que a mãe dele e as minhas irmãs fazem. Mas enfim, deixa isso pra lá.
Só citei isso porque foi justamente por essa "briga" que eu, ele, as irmãs dele e o meu irmão nos afastamos.O que foi uma pena.
Mas quem disse que depois desses anos nos encontrando apenas sem dizer quase nada um pro outro deixou-nos desconfortável um com o outro ? Passei a virada de ano do ano passado pra esse ano ao lado dele, amigavelmente, foi ali que percebi que além daquelas crianças que trocavam segredos, xigamento, carícias e sorrisos, estavam alí também jovens que já sabiam o que queriam, sabiam que alí não havia apenas amizade e cumplicidade, existia amor, amor sim, de homem para mulher. E o ano passou. E nos vimos raramente. Agora, nos últimos dias, tenho ído muito à casa da minha irmã, e ando conversado muito com ele. E tudo continua como antes, subentendido, escondido. Nos gostamos sim, e eu não sei explicar como isso se dá. Ele tem uma namorada, que ele diz pra mim que gosta muito, mas não consegue ficar tão perto e não olhar-me com aquele olhar, com aquele carinho. De acariciar minha mão levemente com a dele, ou acariciar os meus pés com o dele, involuntariamente, assim como quando eramos crianças.
Tenho gostado de estar com ele, me faz esquecer que existe um mundo aqui fora, que existe uma cicatriz aqui dentro de mim, que nossas mães se odeiam, que ele tem uma namorada. Ele também se esquece desse último item quando estamos rindo juntos.
Nesse final de semana passamos quase todo juntos. E quinta-feira, quando ele me levava em casa ele me beijou, e eu depois de muito lutar contra meu desejo afastei-me. No portão da minha casa quando dei-lhe "tchau" ele encostou os seus lábios levemente nos meus e foi embora.
Na sexta, dormi na casa da irmã, esperando ele chegar da casa da tia, mas quando ele chegou eu já estava dormindo e ele nem me acordou.
Sábado passamos praticamente o dia inteiro juntos, e eu não consegui ser forte o bastante... nos beijamos. Foi tão... bom. Foi como se tivesse sido o primeiro, o nosso primeiro de anos atrás. Depois desse eu fui fraca o bastante para deixar acontecer quase o tempo todo. Foi diferente, eu sempre estou "no comando" quando estamos juntos, porque ele sempre se sentiu assim, inferior a mim, ele prefere me escutar do que falar, prefere ouvir as minhas histórias, só fala besteira porque sempre acha que nunca vai conseguir falar alguma coisa que "barre" a minha "sabedoria", mas ontem não, ele estava confiante, se sentia o "dono da situação" e eu gostei muito disso, me senti acalentada por dele, e não protetora como antes. Ele me agarrava sempre que não tinha ninguém olhando, e essa adrenalina estava me deixando louca, mas era divertido, voltei realmente a minha infância, a diferença é que agora ele não é mais aquele pequeno, de dedos finos. É um homem, com mãos grandes, protetoras e olhos chamuscantes.
Fomos dormir na casa da minha irmã, no carro, meu sobrinho percebeu que estávamos com as mãos entreleçadas, arregalou um olho do tamanho de uma bola de basquete, e eu olhei pra ele com olhar de medo, medo que ele dissesse alguma coisa e que o meu cunhado e a minha irmã que estavam bem ali na nossa frente ouvisse. Mas ele não disse, apenas olhou pras nossas mãos novamente e virou para a janela. Eu, involuntariamente, deitei nos ombros dele, mas logo levantei-me, se meu cunhado olhasse pelo retrovisor e visse, ele iria estranhar.
Hoje, minha irmã veio me perguntar, discretamente se roulou um "affair" entre eu ele ontem, porque estavamos dando muito a entender. E eu, não consegui mentir, disse que sim. Ela simplesmente disse: "Ele é muito mongol pra você." E eu não disse mais nada.
Não estou pensando em muita coisa agora, vou deixar acontecer. Não vou ficar me remoendo por coisas, e nem pensar se é certo ou errado. Vou apenas viver.
Acabou de acabar o jogo do Flamengo, ele deve estar vibrando (é, ele é flamenguista --'), vou indo, zoar e falar mal do time dele :P
Beijos
:*

Um comentário:

  1. Sem dúvida o texto mais saúdavel escrito por você que eu já li! Desejo sorte.

    Nada é perfeito... Flamenguistas...

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