segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Bolo na garganta

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH !!!


Que vontade de gritar !

Mas não posso, não a essa hora da noite. Eu acordaria até as lagartas no casulo.

Deuses, por que essa vida é tão complicada? Mas sabe o que é pior ? Eu é que complico.

Bem que eu li nas cartas que essa semana seria "tensa", literalmente. Que eu teria situações delicadas no quesito "família". ><'

Como minha mãe foi descobrir ? Diga-me óh minha Deusa ! Ela está à quilômetros de distância de mim. Nem o pessoal daqui tem certeza... E pra quê ela abriu a boca pro meu pai ?!?!? :O~

Se ele me proibir de ir na casa da minha irmã por causa disso eu ... fujo de casa. u.u'

Nossa, estou agindo feito uma menina de 13 anos.

Não, isso não né ?! Já basta esses meninos com quem me relaciono me chamando de criança, se eu me chamar também vai ser o cúmulo da infantilidade. u.u'

Está bem, concentrei-me. Uff... inspira, expira, inspira, expira.

Bem, pois é, a minha mãe descobriu que eu dei "uns beijinhos" no filho da ex enteada dela. Nossa, eu já estava vendo ela sair pelo telefone e enfiar as mãos no meu pescoço. E o menino estava branco no sofá, quando descobriu que minha mãe estava falando disso. Eu tentei desmentir, mas parecia que eu cheirava mentira até do outro lado da linha, e parecia que ela sabia que ele estava ao meu lado naquele momento.

Como eu senti raiva do mundo naquele instante. Minha vontade era de quebrar tudo que estava a minha volta, mas eu apenas chorei. Ele me abraçou forte e permitiu que eu apertasse as unhas em suas costas, pra ver se eu me acalmava.

Fui no banheiro, lavei o rosto e molhei a nuca. Minha face ainda pegava fogo de raiva.

Como eles podiam ser tão ignorantes ? O que temos a ver com a briga delas ?!

Quando eu me acalmei, sentei no chão e ele a minha frente beijou-me a testa. Olhei além dos seus olhos, e lá dentro, no fundo, escondida, vi a tristeza. O abracei e disse que não importa o quanto elas nos afastem, que seremos sempre amigos, que estaremos sempre juntos, como aquelas crianças que brincavam de jardineiros com as plantas do avô dele, que apostavam quem conseguia chegar no topo daquela velha árvore primeiro.

Provamos uma vez que apesar do tempo a amizade e o carinho continuou, e a cumplicidade também. E que se for preciso, provaremos novamente.

Nessa mesma manhã ele me contou sobre as meninas que ele ficou na festa que foi na sexta-feira. Eu contei sobre o menino que fiquei no sábado na balada que fui com uns amigos. Que não me senti à vontade naquele lugar, mas que aproveitei mesmo assim. Ele continua dizendo que estou tentando fugir de mim, fugir da minha dor, tapar o sol com a peneira, que tudo que tenho feito é superficial. Discutimos mais uma vez, mas foi questão de minutos, logo depois ele veio com aquele abraço forte e protetor. Deuses ! Me fez arrepiar e voltei a chorar. Ele apertou meu nariz, enxugou as minhas lágrimas e me deu um tapa na bunda U.U' Parei de chorar imediatamente e dei um empurrão nele. Voltamos a rir, a ser as crianças de 10 anos atrás.

Fomos ver Cartoon na TV a cabo, abraçados, comendo pão com manteiga e Ovomaltine. Esqueci que tinha um mundo me esperando do lado de fora daquela sala, e uma linha telefônica bem alí, do lado da gente. --'

Era o meu pai, ele perguntou o que eu estava fazendo alí na casa da minha irmã ainda, e que quando chegasse iríamos ter uma conversa ! CARA, por que eles não param de me amolar ?? Eu já tenho 17 anos !! Já chego em casa no dia seguinte depois de tocar funk a madruga inteira no meu ouvido, já viajo sozinha e posso arrumar um emprego !! ><'

Eu odeio quando eles resolvem lembrar que eu existo. --'

Foi broxante aquela ligação, voltei a frustração de antes. Queria vir para casa.

Ele perguntou se eu queria sua companhia, mas eu disse que não precisava, que era melhor ele ficar lá, pra ninguém ver e sair dizendo por aí que estamos fazendo sexo (sim, porque é só isso que falta falarem. SE já não falam --'). Argh, essa gente me deixa enojada.

Quando me despedi dele, o abracei forte, forte mesmo até doer. "Amo você". Eu quase caí no chão de tanto que minhas pernas tremeram ao ouvir estas palavras, era a primeira vez que ele dizia isso pra mim. Embora eu já soubesse, foi tão mais...emocionante escutar sua voz pronunciando aquelas palavras ao pé do meu ouvido. Bem mais do que simplesmente olhar em seus olhos e enxergar. "Eu também". Ele vai saber interpretar esse amor, tenho certeza.

Meu ursinho, como ele cresceu. Já é quase um homem. Mas ainda lhe falta sabedoria, e isso só o tempo vivido lhe dará. Apesar dessa falta ele tem uma coisa maior que isso, um coração. Um amor pelas coisas que não se pode medir, e isso, isso é o que mais me encanta em uma pessoa. Uma aura clara e relusente, como os raios de sol do inverno. Que os Deuses continuem o abeçoando, e os elementais o iluminado.

Naquela hora tivemos certeza de que era a última vez que nossos lábios se tocavam. E que agora nossos laços de amizade tornaram-se fraternos, pra sempre.

Eu vi, no cantinho dos seus olhos, uma lágrima escondida, quanto a mim, as lágrimas já molhavam a gola da casaco. Fui embora.


Eles venceram.

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