Cavalgando três dia e três noites ele chegou ao lugar, mas decidiu que ao lugar não se podia chegar.
Parou, pois, para pensar.
Este deve ser o lugar. Se cheguei a ele, então não tenho importância.
Ou pode não ser este o lugar. Não há, pois, importância, mas eu próprio não sou diminuído.
Ou pode ser este o lugar. Mas talvez eu não tenha chegado a ele. Posso ter estado sempre aqui.
Ou ninguém está aqui, e eu simplesmente sou do lugar e nele estou. E ninguém pode chegar a ele.
Talvez este não seja o lugar. Eu tenho, pois, um propósito. Sou importante, mas não cheguei a ele.
Mas este deve ser o lugar. E como não posso chegar a ele, eu não sou, não estou aqui, aqui não é aqui.
Após cavalgar três dias e três noites ele não chegou ao lugar, e tornou a afastar-se cavalgando.
Dar-se-ia que o lugar não o conhecesse, ou não o encontrasse? Não era ele capaz?
Na história só se diz que se deve chegar ao lugar.
Cavalgando três dias e três noites ele chegou ao lugar, mas decidiu que ao lugar não se podia chegar.
(Harold Bloom em A Angústia da Influência: Uma Teoria da Poesia)
Pergunta: Quem é ele e onde é o lugar?
A professora do pré disse que ler poesia nos faz bem, amplia nosso vocabulário. Interessante.
Ando lendo algumas quando não se tem nada pra fazer, digo, quando estou saturada de ver reações químicas, cálculos intermináveis e histórias desimportantes.
Desestressa.
As minhas favoritas são aquelas que no final não se sabe ao certo sobre o que/quem ele disse. De fato existe como descobrir sobre o que/quem ele se refere, mas eu nem fico procurando... Depois que passa o dia, surge um momento, como se fosse um lapso, em que a poesia se estende por inteira em minha mente e vou desvendando toda ela. O que antes era apenas um conjunto de orações sem sujeito e predicado passa a fazer todo o sentido pra mim, me deixando até espantada com a obviedade.
Ler poesia é realmente facinante.
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