Fato é que todo mundo já mentiu um dia. E no outro, e no outro e naquele outro também. E muito provavelmente ainda mentiremos um dia. E no outro, e no outro e também naquele outro.
Enfim, mentir é quase que um verbo a ser conjugado sempre no gerúndio de nossas vidas. Contamos mentiras nossas em dias pares para ouvir, em dias ímpares, as mentiras alheias. É o próprio mito do eterno retorno.
Cada um de nós tem os seus próprios motivos e explicações para suas mentiras. E somos capazes de algumas vezes utilizar meias verdades para isso e de, na maioria das vezes, criar as mais cabulosas mentiras para justificar nossas tantas outras mentiras cabeludas, quando não descabeladas :P , que dirá descabidas.
Já menti porque me senti forçada a mentir. Parece mentira, mas é real.
A pessoa está lá, sentadinha no sofá no seu melhor estilo “sou psicanalista e observo até o seu incosnciente”, esperando um motivo, aquela deixa perfeita, perfeita aos olhos dela, para discutir a relação.
“- Por que você saiu e não me chamou?
- Eu te chamei. Lembra que te liguei dez e meia da noite perguntando se queria sair?
- Lembro! Mas você disse que não sabia ainda se ia sair, que estava só pensando.
- Tá, mas você disse que não sairia de qualquer jeito, lembra?
- Lembro! Mas acho que você poderia ter me ligado de qualquer forma.
- Tá bom! Na próxima vez eu te ligo uma e meia da manhã pra dizer: olha, eu sei que você não quer sair hoje, mas é só pra te avisar que resolvi sair, ta? (Y) beijo”
Talvez isso aconteça porque estamos aquém do que o outro espera de nós. ¬¬' Ainda não sou capaz de escrever declarações com sangue nos muros da cidade após o nosso pacto de amor ou amizade eterna. Sou sim, muitas vezes, exagerada, passional, dramática e sentimental um pouco além da normalidade, isso é fato pra quem me conhece. Mas possuo aquele defeito imperdoável dos que não se permitem tatuar o NOME do outro em seu corpo, nem expor meus sentimentos rolando no chão do quarto durante a madrugada. Adquiri o péssimo hábito de viver, e bem, com outras pessoas e a respirar sozinha.
Em pouco tempo, a única dúvida em sua vida é o horário da próxima briga. Os motivos extrapolam nossa consciência limita com fatos incapazes de se compreender.
Como qualquer coisa pode acabar desencadeando a próxima guerra mundial, e considerando que a terceira guerra muito provavelmente será nuclear :P , pelo bem do mundo e de todos, você começa a se aprimorar na arte da "diplomacia", ou seja, aprende a mentir - ou omitir - para agradar.
Há também aquelas situações em que mentimos para o bem da outra pessoa.
” – Eu só penso em você, só tenho olhos para você e só amo você!”
Volta e meia olhamos para outro alguém, lembramos de um outro além e sentimos, mesmo que momentaneamente, desejo de amar um outro qualquer, descobri isso é típico dos seres humanos . Então trancamos tudo isso numa "caixinha preta" blindada e a jogamos no fundo do oceano do nosso inconsciente, cuidando para ocultar todos os vestígios de nosso crime inafiançável. Compreensível. Humano, demasiado humano, diria. :$
Pois foi no longo processo de amadurecimento que aprendemos a medir nossas verdades e nos adestrar a parar de chamar os outros de “
Mas, o que poucos aprendem ou percebem é que a mentira não nos dá super poderes, nem nos coloca na liga da justiça. Talvez na presidência ou no congresso, mas não na lista de canonização do vaticano :P . Isso porque a mentira, como nós, tem suas limitações.
- Não, você não tem doença nenhuma, fique tranquilo!
E puft! A doença some.
- Não gastei nenhum centavo este mês!
E plim! Aparece todo o seu salário no saldo da sua conta.
- Eu nunca te traí! Essa mulher ao meu lado não existe!
E "simsimsalabi," a mulher era, na verdade, um travesti. xD
A mentira, no fundo, nunca deixa de ser uma farsa. E como toda farsa, não evita o sofrimento. Só protegemos o outro de nós mesmos quando conseguimos esconder tudo na "caixinha preta" que jogamos no fundo do oceano do nosso inconsciente. O problema é que nela só cabem pensamentos :S. Você pode pensar em abandonar, trair, fugir, matar e depois esconder tudo na caixinha preta. Final feliz.
Mas se você abandona, trai, foge ou mata, não tem caixinha, mentira ou álibi que te salve da polícia federal (ou do CSI :P). Proteger é não deixar acontecer, o que é muito diferente de pisar na bola e tentar ocultar a verdade fazendo o outro achar que ou está esquizofrênico ou andaram colocando LSD no seu café da manhã. É covardia sustentar nossas mentiras a custo da sanidade mental do outro. Isso é não querer assumir as consequências de seus atos.
"Varinha de condão" ainda não é uma mercadoria disponível no mercado ;) . E mesmo se estivesse, à meia noite tudo volta a ser abóbora.
Inevitavelmente, nas doze badaladas, a roupa concedida pela fada madrinha some para revelar nosso verdadeiro eu. Eis a hora em que teremos que aprender a lidar com todas as fantasias que se foram e a conviver com todas as abóboras vergonhosamente escancaradas que ficaram.
Sejam nossas, ou aquelas que os outros nos deram.
Pensem nisso.
Bem, agora vou dormir que já está tarde.
Beijos e até a próxima :*
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