Preciso saber quem eu sou.
Preciso descobrir como me controlar
Se é que tenho controle. Espero que sim,
não quero passar por aquilo de novo.
Não quero sentir aquilo novamente.
Aquela...dor. Dor aquela que fazia a minha alma tremer, agonizar...
Foi a primeira vez que pude sentir minha alma de verdade. Ter certeza que ela existe, que temos alma e o sofrimento delas é dez vezes (ou mais) maior do que a de um corpo.
Dormir? Impossível. Remédio? Totalmente em vão. A alma não dorme e quando está doente não sara com comprimidos industrializados.
A dor demorou a passar. Caminhei pela casa, acendi todas as luzes, não queria ficar no escuro, lá a dor parecia mais intensa. Deitei. Rolei pela cama. Lágrimas começaram a escorrer pelas bochechas, atingindo o pescoço e de uma maneira tão veloz que a gola do meu pijama ficara ensopada em instantes. Eu queria dormir! Eu implorava por isso, mas não conseguia. Eu poderia até estar com sono, mas a dor da alma transpassava tudo que é outra reação do corpo. Levantei, tomei um comprimido inteiro pra dormir. Demorou menos de dez minutos e eu já estava lá, imóvel em cima da cama. Mas a dor...a dor ainda estava lá, no meu peito, firme e forte. Ouvia batidas. Batidas de um coração. Não sei ao certo se era o meu, mas era um coração, e ele pulsava vigorosamente. Os olhos pareciam colados. Eu sentia minha respiração, parecia que a dor me impedia de respirar e eu tinha que fazer uma força enorme pro ar penetrar nos meus pulmões. E eu não via nada, apenas a escuridão.
A dor parou, não me lembro quando e nem quanto tempo durou em tempo físico, mas cessou. Mas parecia que ía durar uma eternidade, que tinha apenas começado e não tinha hora e nem momento pra acabar.
Quando parou, eu estava em um lugar, muito estranho, nunca o tinha visto. Parecia um Forte. Era todo branco e tinham escadas, torres, e tudo era extremamente claro, chegava a doer a vista. Eu também estava de branco, a única coisa escura que tinha lá era o meu cabelo, que estava realmente sobressaindo naquele lugar.
Eu estava sentada em um degrau, encostada na parede, eu me lembro de ter levantado e me dirigido pra algum lugar, e não lembro de mais nada.
Acordei atrasada pra escola, eram 10:10h. Na cama, a lembrança da dor daquela madrugada veio à cabeça, e bateu aquela angústia no peito. Minha vontade era de não levantar, ficar no quarto, escuro, fechado, por um bom tempo. Mas eu não podia, tinha que viver a realidade, e ela não parece ser ruim. Ela me agrada. Tenho certeza do que eu sinto, do que eu desejo, do que eu gosto, do que amo, do que não amo e do que não gosto. Do que eu não quero, mas que o meu querer não é o meu "ter", ou o meu "poder". De que tenho uma vida social e não posso me entregar a coisas que nem sei se existem de verdade e que podem ser apenas projeções da minha mente. Mas que eu sinto, eu sinto. E quero saber o que são essas coisas, o porquê de eu sentir essas coisas. Ter alguém que me explique, que me ensine, que me ajude. Porque agora tenho quase certeza de que não conseguirei descobrir sozinha.
Ah vó, que saudade da senhora. Tinha sempre as respostas perfeitas nos momentos exatos. Por que teve que me deixar aqui? Sem saber onde buscar informações. Por que não aparece...? Eu preciso de você agora, pra me dizer, pra me explicar, pra me aconselhar. A senhora um dia prometeu que nunca iria me abandonar, eu duvidei. Já tinha conciência de que as pessoas partem daqui e vão pra lugares que sentem-se melhor. Mas mesmo duvidando eu tinha esperança, sabia que a senhora não me deixaria. Há quanto tempo não aparece, nem em sonhos. Preciso de você, nem que seja um abraço, aquele abraço pequeno e confortável que só a senhora sabia dar nas pessoas.
Ultimamente ando com a percepção em baixo nível, será que já era pra eu ter percebido muitas coisas ao meu redor e não percebi? Já era pra ter encontrado "a pessoa" e não percebi? Ou será que já a encontrei e não percebi?
PELASBARBASDOSDEUSES! Pessoa tô falando com você, sei que está me sentindo agora, pois eu escrevo o que eu sinto, e você pode me sentir que isso eu sei. Dá pra me ajudar? Me explicar o porquê de eu ter nascido esse ser bizarro. De eu não poder ser apenas mais uma "adolescente sequelada" sonhando com o tal prícipe encantado, de eu sentir coisas "anormais" e que não faz sentido nenhum pra mim. De eu conseguir ter uma ligação tão forte com alguém que sem querer acabo sentindo dores...e óh, isso não é nem um pouco legal. -.-' De eu ter a sensação de saber mais do que era pra saber e não sabendo de nada (tá, acho que você não entendeu né? Ou sim...). De como as coisas podem conspirar tanto pra um caminho só, como tudo que acontece, que sempre pensei e senti pode levar a um caminho desconhecido por mim e eu sabendo que é esse o caminho, mesmo não sabendo (ou não lembrando ... ) do que eu posso encontrar lá. Tantas perguntas, tantas incógnitas, tantas reações, sentidos, incertezas...
Deuses! u.u'
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